Fundo VAR - Fundo de Artur Varatojo

Zona de identificação

Código de referência

PT /AHMJ/PJ/ VAR

Título

Fundo de Artur Varatojo

Data(s)

  • 1926-2006 (Produção)

Nível de descrição

Fundo

Dimensão e suporte

Cerca de 400 unidades de instalação (pastas e caixas), ocupando aprox. 20 metros lineares.

Zona do contexto

Nome do produtor

História biográfica

Artur Francisco Varatojo nasceu a 21-08-1926, na freguesia de Santa Catarina, em Lisboa e faleceu a 28-10-2006, na mesma cidade, com 80 anos. De um modo geral ficou conhecido pelo público por Artur Varatojo ou pelo seu alter ego “Inspetor Varatojo”, destacando-se como autor de uma grande atividade televisiva, literária e radiofónica, sempre ligada a temas policiais. Além de um exímio comunicador, um apaixonado pela literatura policial e por vários aspetos da criminologia, Artur Varatojo exerceu durante vários anos a profissão de advogado no seu escritório de Campo de Ourique, bairro onde residia com a sua esposa Nazaré Varatojo.
A sua primeira licenciatura, obtida em 1949 no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, foi em Economia e Finanças. Mais tarde, em 1979, já com 53 anos, Artur Varatojo concluiria a licenciatura em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Só a partir desta altura passaria a exercer a advocacia, vindo a aprofundar os seus estudos nesta área, em 1985, com a frequência e conclusão do curso superior de Medicina Legal.
Paralelamente, Artur Varatojo revelou sempre um profundo interesse na área da criminologia e nas temáticas de técnica e literatura policial, tendo editado - ao longo da vida – mais de vinte obras.
A sua vida foi, aliás, em grande parte dedicada a estudar o “porquê” do crime. Como o próprio Varatojo frequentemente referia, a seguinte interrogação encontrava-se sempre presente: "Qual a razão que leva um homem ou uma mulher a cometer um crime? Descobrindo-a poderemos evitar futuros crimes?". Talvez por isso fossem regulares as visitas que prestava a detidos no Estabelecimento Prisional de Lisboa e os contactos com vários elementos da Polícia Judiciária e com técnicos do Laboratório de Polícia Científica, com os quais trocava impressões sobre diversos assuntos.
Numa vertente mais cultural e literária, Artur Varatojo contribuiu para a divulgação em Portugal de obras de escritores como Agatha Christie, Arthur Conan Doyle ou Georges Simenon, granjeando-lhe identicamente a alcunha de "Sherlock Holmes português".
A sua profícua atividade literária variou entre a divulgação de tramas reais ou ficcionados, antologias ou pequenos textos que permitiam ao leitor adquirir conhecimentos sobre temas tão variados como o calão prisional oitocentista, toxicologia e envenenamentos célebres, casos de criminosos, psicopatas e serial-killers portugueses ou estrangeiros.
Para além do livro, a sua ação de divulgação de assuntos policiais e criminológicos seria igualmente feita em outros formatos e em vários meios de comunicação social, marcando diversas gerações de leitores, ouvintes e telespectadores.
Na imprensa colaborou ativamente durante 17 anos com o jornal "A Capital" escrevendo uma crónica semanal denominada "O Crime Visto por…", tendo ultrapassado a crónica número 900. Prestou várias colaborações no "Século Ilustrado", na Revista "Mais", na "Nova Gente", no "Correio da Manhã" e na revista “Foguetão” (1961).
Na televisão, meio de comunicação onde se tornou extremamente popular, Varatojo apresentou programas como o "ABC do Crime" (emitido durante sete anos) e "Selecção Policial" (que esteve no ar na década de 60 durante oito anos). Ainda na área televisiva foi autor de vários concursos emitidos pela RTP, tendo também desempenhado outras funções na mesma estação.
Na rádio colaborou durante 25 anos na Emissora Nacional e no Rádio Clube Português com a apresentação da rubrica "Na Pista do Crime", assinando com o pseudónimo "Dr. Fantasma"; fez a adaptação radiofónica de "Ala dos Namorados", de Campos Júnior e do folhetim "O Caso das Crianças Desaparecidas".
Ao longo de muitos anos foi ainda produtor do programa policial "Quinto Programa" (iniciado na década de 50), sendo também da sua produção, embora assinada com o pseudónimo "Bill Trinitá", a "Rubrica do Oeste" (já da década de 70).
Artur Varatojo fez parte da associação norte-americana Mistery Writers, da Sociedade Internacional de Criminologia, da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, foi sócio agregado da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, e - sendo o cachimbo a sua imagem de marca - foi ainda um dos fundadores do Cachimbo Clube de Portugal, do qual presidiu à assembleia-geral.
Apesar de nunca ter exercido funções na Polícia Judiciária (nem em qualquer outra força policial), já perto do final de vida o "Inspector" Varatojo decidiria legar à Polícia Judiciária o seu arquivo e vasto espólio bibliográfico.

Entidade detentora

História do arquivo

Arquivo produzido e organizado por Artur Varatojo, doado à Polícia Judiciária e transferido para a PJ após a sua morte em 2006, em conjunto com a sua biblioteca pessoal.
Inicialmente o arquivo de Artur Varatojo ficou acondicionado nas instalações do Centro de Documentação na Rua Gomes Freire, n.º 213 (onde seria inaugurada uma "sala Artur Varatojo" em 17-09-2008) e, posteriormente, seria realojado nas instalações da nova sede da Polícia Judiciária em 2014).

Fonte imediata de aquisição ou transferência

Doação, efetivada a partir de 2006 (em vários momentos/fases).

Zona do conteúdo e estrutura

Âmbito e conteúdo

Fundo constituído pelo arquivo pessoal de Artur Varatojo, contendo várias pastas de recortes de jornais, manuscritos de obras (originais e rascunhos), bem como de documentos pessoais (fotografias, cartas/correspondência, documentos oficiais, etc.).
A maior parte das pastas subdivide-se em várias capilhas e separadores que agregam vários recortes ou fotocópias de jornais e revistas sobre um determinado assunto específico, tema ou palavra-chave.
De um modo geral, os temas relacionam-se com matérias de literatura policial (autores, personagens), criminologia, técnica policial, instituições policiais, curiosidades ou sobre crimes (quer como tipologias de crimes - ex. homicídios, raptos, burlas, etc. - quer sobre crimes e criminosos que se tornaram célebres).
Parte deste arquivo multitemático, nomeadamente as centenas de dossiês de recortes e outra documentação recolhida metodicamente por Artur Varatojo e por sua mulher, terá servido como “matéria-prima” e base de apoio para a sua extensa obra literária, radiofónica e televisiva, tendo sido agrupado em várias coleções de dossiers (internamente ordenadas alfabeticamente).
Outra parte deste arquivo é composto por diversas pastas contendo os manuscritos originais (dactilografados, rasurados e emendados) de várias das suas obras ou os apontamentos e guiões de vários dos seus programas na rádio e televisão.

Avaliação, selecção e eliminação

Ingressos adicionais

Sistema de organização

Zona de condições de acesso e utilização

Condições de acesso

Condiçoes de reprodução

Idioma do material

Script do material

Notas ao idioma e script

Características físicas e requisitos técnicos

Instrumentos de descrição

Zona de documentação associada

Existência e localização de originais

Existência e localização de cópias

Unidades de descrição relacionadas

Descrições relacionadas

Zona das notas

Identificador(es) alternativo(s)

Pontos de acesso

Pontos de acesso - Assuntos

Pontos de acesso - Locais

Pontos de acesso - Nomes

Pontos de acesso de género

Zona do controlo da descrição

Identificador da descrição

arquivo-de-artur-varatojo

Identificador da instituição

Regras ou convenções utilizadas

Estatuto

Nível de detalhe

Datas de criação, revisão, eliminação

2021-05-25

Línguas e escritas

  • português

Script(s)

Fontes

Zona da incorporação

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